18 de janeiro de 2010

Prefeitura de Ribeirão investirá R$ 40 mil em Arq. Público

Para sair do papel Prefeitura vai investir R$ 40 mil no projeto de ocupação da antiga Cianê para criar local para documentos

A Prefeitura de Ribeirão Preto investirá cerca de R$ 40 mil no projeto de ocupação da antiga Cianê pelos Arquivo Público Municipal, Museu da Imagem e do Som e Biblioteca Guilherme de Almeida. A definição de uso do espaço é uma das exigências para obtenção de financiamento para o restauro do prédio junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) — o custo da obra é estimado em R$ 20 milhões pelo município.

O convite de preço para a contratação de empresa ou profissional especializado em elaborar este tipo de material foi publicado anteontem e terá abertura e encerramento na próxima terça. De acordo com a secretária municipal de Cultura, Adriana Silva, o projeto arquivístico (que indica quais e quantos móveis e sistema de ventilação utilizar, bem como onde devem ser colocados) deve ser entregue entre março e abril.

“Vamos ouvir profissionais, como arquitetos, designers e arquivistas, para ter um levantamento técnico de como proceder. Afinal, não adianta restaurar paredes e não prever que serão usadas 10 mil estantes. Temos que trabalhar com essas informações. Além disso, em abril retornamos ao BNDES para pedir os R$ 20 milhões e precisamos dizer para onde vai esse dinheiro”, disse Adriana.

O arquiteto e urbanista Henrique Vichnewski, vice-presidente da ONG Viva Cidade, tem acompanhado o projeto de restauro da Cianê e disse que não deve ser difícil resgatar a estrutura. “O prédio está em ótimo estado de conservação se comparado com a Casa da Caramuru, mesmo porque era uma fábrica com máquinas que vibravam. A estrutura de concreto armado é muito sólida”, disse Vichnewski.

O projeto de restauro é mais amplo que o de arquivismo e englobará critérios não só de recomposição das fachadas, mas de manutenção do ambiente. “O conjunto fabril é diferente de uma residência, pois tem pontos específicos para não descaracterizar o valor estético de uma fábrica”, afirmou o arquiteto.

Área particular foi demolida no ano passado

A parte particular dos prédios da Cianê-Matarazzo, fábrica têxtil nos Campos Elíseos que marcou o início da industrialização em Ribeirão Preto, foi demolida ano passado. O local estava abandonado desde os anos 90, quando a Cianê, última dona, abriu falência e perdeu máquinas e terreno para bancos.

Foram quatro anos de negociação com o Ministério Público antes da liberação para novo empreendimento. As empresas Fit e Bild, que construirão oito torres de 18 andares no local, respondem por 60% dos cerca de 240 mil metros quadrados de área do terreno.

O restante, com os dois galpões tombados, ficou para o município, que irá reformar o local para abrigar secretarias e o Arquivo Público Municipal.

Como a fábrica é tombada, o condomínio resguardou um entorno de 50 metros da parte protegida para garantir a visibilidade do patrimônio. A antiga Cianê tinha quatro pavilhões nos quais eram tecidos algodão e seda, e chegou a ter 3,2 mil funcionários. (DC)

Fonte: Gazeta de Ribeirão - 10/01/2010 - Por Danielle Castro

Créditos: ENARA

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