19 de janeiro de 2011

Livro trata do problema da moradia em São Paulo no final do séc XIX

Livro trata do problema da moradia em São Paulo no final do séc XIX,
Falta de moradias no centro da capital preocupam desde o fim do século XIX, causando problemas de segurança e saúde públicas. Relatório de médicos e engenheiros de 1893 é editado pela primeira vez em fac-símile e analisado por especialistas.
  
Os Cortiços de Santa Ifigênia: sanitarismo e urbanização (1893)
Simone Lucena Cordeiro (org)
Coeditado por Arquivo Público do Estado de São Paulo e Imprensa Oficial
224 páginas

 “...cortiços e estalagens, casas de dormida, os prédios transformados em hospedarias, as vendas ou tascas, quase todas com aposentos nos fundos para aluguel, os hotéis de 3a. e 4a. ordem, transformados em cortiços”
 E mais um impressionante contingente de 1.320 indivíduos em apenas 60 imóveis... O trecho acima parece ter saído de O Cortiço, de Aluísio Azevedo, mas retrata São Paulo no fim do séc. XIX, segundo dados do Relatório da Commissão de exame e inspecção das habitações operárias e cortiços no districto de Sta. Ifigênia, de 1893, documento que está sendo publicado pela primeira vez em edição fac-similar acompanhado de três estudos críticos escritos por renomados pesquisadores.
 Fundamental para grandes mudanças estruturais, o Relatório influenciou projetos nas áreas de saúde pública, saneamento e abastecimento de água, como o Instituto Bacteriológico, os Laboratórios de Análises Clínicas e Farmacêutico, a canalização e retificação dos rios Tietê, Tamanduateí e Anhangabaú, a criação de um Código Sanitário, entre outras iniciativas necessárias em função do crescimento econômico e demográfico que levou à diminuição da qualidade de vida das principais cidades paulistas.
      O livro Os Cortiços de Santa Ifigênia: sanitarismo e urbanização (1893), organizado pela diretora do Centro de Acervo Permanente do Arquivo Público do Estado, Simone Lucena Cordeiro, e co-editado pelo Arquivo Público e a Imprensa Oficial, é um “esforço de divulgação de documentos relevantes para a História de São Paulo, e que façam parte do acervo do Arquivo Público do Estado de São Paulo”. Simone Cordeiro possui doutorado em História Social pela PUC-SP, com linha de pesquisa em Cultura e Cidade, tem experiência nas áreas de História, Arquivologia e Patrimônio Cultural.
 O Relatório compõe-se de análises feitas por engenheiros e médicos sanitaristas do final do séc. XIX contendo quadros de levantamento de domicílios e suas plantas, além de tabelas populacionais relevantes para aquele período de epidemias, como a da febre amarela.
 “Trata-se de um documento fundamental para pensarmos algumas das diretrizes políticas de intervenção urbana, sanitária e em relação à habitação popular”, explica Cordeiro na apresentação do livro. O Relatório é dividido em oito capítulos que descrevem as habitações, as zonas afetadas pela epidemia, as medidas e providências a serem tomadas sobre a situação das vilas operárias e cortiços. É possível estudar as técnicas urbano-sanitárias, os propósitos mais amplos sobre a cidade que se queria construir, o tipo de moradia mais adequada, entre outros.
  Além do Relatório, especialistas fazem análises do documento. Maria Stella Bresciani fala sobre o sanitarismo e a configuração do espaço urbano; Bresciani é professora titular da UNICAMP e é bastante conhecida por seus trabalhos em história do urbanismo na cidade de São Paulo e seus paralelos com o crescimento de cidades européias no século XIX. Maria Alice Ribeiro fala sobre os cortiços no distrito de Santa Ifigênia e é professora adjunta da UNESP; em suas pesquisas, tem dado ênfase na história da urbanização, da saúde pública, da industrialização e do mercado de trabalho.  Jaime Rodrigues, professor adjunto da UNIFESP, trata sobre higiene e habitação operária em São Paulo. Em suas pesquisas, tem se voltado aos temas da escravidão, patrimônio histórico, organização de acervos e saúde pública.

Sobre o Arquivo Público do Estado de São Paulo

O Arquivo Público do Estado de São Paulo é um dos maiores arquivos públicos brasileiros. Vinculado à Casa Civil, sua função é formular uma política estadual de arquivos e recolher, tratar e disponibilizar ao público toda documentação de caráter histórico produzido pelo Poder Executivo Paulista. A instituição mantém sob sua guarda aproximadamente 6 mil metros lineares de documentação textual permanente, 17 mil metros de documentação intermediária, 900m de material iconográfico e uma biblioteca de apoio à pesquisa com 45 mil volumes.

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Tel. (11) 2089-8124

Verônica Cristo

Raphael Henrique da Silva

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