19 de setembro de 2011

Poesia: O ARQUIVISTA


O arquivista cofia os bigodes
na incerteza se pode,
na certeza que não pode
forjar aquilo que acode
ao seu instinto de ordem.
E sente na alma, fria,
a estranha melancolia
do anseio da simetria
que faz do caos harmonia.

O arquivista avalia
e seus bigodes cofia:
será a ordem doentia
e a métrica antipoesia?

Em ordem, Olavo escandia
e, pasmem, estrelas ouvia
naquela monotonia
ritmada, mas vazia,
mais parnaso que poesia.

E o arquivista debalde
procura a normalidade
que em seu cérebro havia;
como o herói de Cervantes,
surtado, avista gigantes
entre as estantes esguias...
(Que bela patologia!)

Fonte da imagem:
Créditos: Eu-Lírico

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